A ética é a teoria do setor cultural chamada
moralidade, ou do dever ser, como formulou Kant. Também se determina o tema da
ética como o estudo da totalidade infinita do homem, com o que se alude à ideia
de humanidade.
A ética, de modo análogo à lógica, procura
determinar a essência e as formas de uma legalidade fundamental da cultura: a
moralidade. Esta lei recebe o nome de “vontade pura”. O homem quer e age de
acordo com o teor desta lei quando, por seu querer e obrar, se transforma num
membro pleno de valor da comunidade, de uma comunidade cultural de homens
livres, isto é: quando ele quer e age no sentido da “vontade social pura",
segundo as tradições de uma comunidade humana, compreendendo e sentindo os
valores universalmente válidos. Só quem age e quer, tendo o dever como
orientador de sua conduta, quer e age no sentido da vontade pura.
A terceira ciência filosófica fundamental é a
estética, cujo sistema estabelece, como primeiro termo, as indissolúveis
relações da arte com os produtos da cultura e da fantasia criadora. Cohen indica
que o órgão da arte é o sentimento puro, o amor ao homem na totalidade de sua
essência, os valores da graça, da ironia, da comicidade e da fantasia
criadora.
Assim, não poderemos realizar um trabalho
duradouro, com relação aos problemas da vida política, econômica ou filosófica,
sem que os enfrentemos, como homens desejosos de progredir na direção do
pensamento ético. Albert Schweitzer definiu: “Todos os que conseguem algum
avanço, em matéria de ética, colaboram no advento da prosperidade e da paz do
mundo”. Já Schopenhauer diz: “É fácil pregar a moral. Porém, difícil é
assentá-la”.
Aliás, Schopenhauer, Kant e Nietzsche sempre
divergiam sobre algum aspecto nas manifestações de cada forma de moral
concebida. Cumpre-nos encontrar o grande acorde final, no qual as dissonâncias
dessas “éticas” heterogêneas dissolvam-se em harmonia.
O problema ético é, portanto, o problema do
principio básico da moral, fundado no pensamento sobre o bem e o mal. Às vezes
por caminhos divergentes, os grandes pensadores (como Sócrates, Aristóteles,
Epicuro ou Zenon) procuraram lapidar todos os conceitos, buscando encontrar as
virtudes e conceitos de verdade, de moral e de ética, buscando a essência da
moralidade pura.
Compromisso com a
verdade
Ética é a ciência do comportamento, que faz parte da moral – e esta faz parte da filosofia. É a norma de comportamento do indivíduo em seu grupo, das instituições e da sociedade. Albert Schweitzer, médico agraciado com o Nobel da Paz em 1952, definiu a ética como sendo o nome que nós damos às nossas preocupações com a boa conduta. Ética é o compromisso que temos com a verdade, com o justo, pautando as nossas ações numa linha de retidão de comportamento.
Ética é a ciência do comportamento, que faz parte da moral – e esta faz parte da filosofia. É a norma de comportamento do indivíduo em seu grupo, das instituições e da sociedade. Albert Schweitzer, médico agraciado com o Nobel da Paz em 1952, definiu a ética como sendo o nome que nós damos às nossas preocupações com a boa conduta. Ética é o compromisso que temos com a verdade, com o justo, pautando as nossas ações numa linha de retidão de comportamento.
Em sua obra-prima “O Príncipe”, Nicolau Maquiavel
refletiu as condições de sua época, mostrando a reforma política, o livre exame
dos fatos históricos, o ataque às tradições medievais, a instituição do êxito
como única medida de poder do príncipe – enfim, a ruptura do temporal com o
espiritual. Para equilibrar e harmonizar os contrastes, Maquiavel pregava que,
para um príncipe se manter, é necessário que ele aprenda o poder de ser mau, e
que se valha ou deixe de se valer disso quando e segundo a necessidade.
Da mesma maneira, ele disse que é necessário que
o príncipe seja tão prudente que saiba evitar os defeitos que lhe arrebatariam o
governo e praticar as qualidades próprias para lhe assegurar a posse deste, se
lhe for possível. De vilania em vilania, colocadas no papel, Maquiavel construiu
a reputação de fundador da ciência política, liberando a política da ética.
O movimento Ética na Política demonstra uma
evolução clara da sociedade. O Rotary propugna pelo reconhecimento do mérito de
toda a ocupação útil e a difusão das normas de ética profissional. A ética
pessoal deve ser constante, bem como a de um grupo de pessoas, e praticada a
todo instante, como forma de comportamento, caracterizando o modo de atuação
para dirimir as dúvidas e conciliar os conflitos ou interesses em causa,
relativamente às atitudes assumidas.
É forçoso que a sociedade se torne mais
democrática e mais livre à medida que prevaleçam os valores morais e éticos. Na
época da fundação do Rotary, no começo do século 20, havia um enfraquecimento
moral, e Paul Harris tinha consciência de que algo deveria ser feito para que os
valores ainda existentes pudessem ser preservados – e, a partir deles, a
sociedade pudesse ser restaurada. Esta foi a grande cruzada que o Rotary passou
a encetar em cada comunidade, através do exemplo de seus quadros na conduta, na
moral e nas profissões, divulgando as normas da ética profissional. Como dizia
Sheldon, “o rotariano deve comportar-se de tal forma que seus métodos
justifiquem a confiança de seus companheiros e do público em geral”.
Quatro perguntas
A época em que vivemos está moralmente confusa. Diariamente, nos deparamos com as mais difíceis situações, para cuja solução devemos tomar atitudes éticas. O Rotary fornece-nos uma ferramenta com a qual devemos trabalhar diariamente: a Prova Quádrupla. É a verdade? É justo para todos os interessados? Criará boa vontade e melhores amizades? Será benéfico para todos os interessados?
A época em que vivemos está moralmente confusa. Diariamente, nos deparamos com as mais difíceis situações, para cuja solução devemos tomar atitudes éticas. O Rotary fornece-nos uma ferramenta com a qual devemos trabalhar diariamente: a Prova Quádrupla. É a verdade? É justo para todos os interessados? Criará boa vontade e melhores amizades? Será benéfico para todos os interessados?
Vamos colocar a Prova Quádrupla em nossa mesa de
trabalho. Com ela, será mais fácil, com certeza, tomarmos posições e atitudes
éticas, e divulgar a imagem do Rotary. Precisamos estar atentos no sentido de
revitalizar os procedimentos éticos entre os profissionais, entre os
trabalhadores e as autoridades públicas para que seus códigos de ética sejam
obedecidos e praticados, e que não passem a servir apenas de escudos para
proteger profissionais ineficientes.
Também vemos com satisfação que na vida pública
recente do país os dirigentes estão sendo chamados a prestar contas de atos
pouco éticos, quando a sociedade se mobiliza para alertá-los e cobrá-los,
fazendo valer os princípios morais para que, em pouco tempo, tenhamos uma
sociedade mais coerente, mais honesta, mais digna e mais honrada.
* O autor é Júlio César Malinverni. Advogado,
professor de direito da Universidade Planalto Catarinense e associado ao
Rotary Club de Lajes, SC, ele foi o governador 1981-82 do
distrito 4740. Este artigo foi originalmente publicado na edição de julho de
1993 da Brasil Rotário. Foto: stock.XCHNG
